segunda-feira, 10 de junho de 2013

PELOTAS/RS-Dicas de Viagem--Mais fotos


Prédio da Secretaria da Receita Municipal.Construído em 1926, foi o antigo Banco do Brasil. Interessante sua cúpula mansarda, sacadas, azulejos. É um marco da arquitetura pelotense
                                                                               
                                          
Clube Caixeiral; Belo prédio no qual destaco sua porta principal, pela eclética arquitetura.
                                                                                           

Fonte das Nerei-
das: Localizada na Praça Cel. Pedro Osorio.
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Praia do Laranjal: Dista apenas 10 minutos do Centro. É o recanto preferido pelos pelotenses no verão, quando aproveitam as águas calmas da Laguna dos Patos para se banharem e praticarem esportes náuticos..Suas enormes e centenárias figueiras fornecem sombra,dando inveja às nossas praias do litoral norte. O cuidado e a limpeza do calçadão, bem como dos quiosques ali existentes encantam o visitante. Almoçamos no restaurante Santo Antônio, que recomendo.
                                                                                        

PELOTAS/RS-Dicas de Viagem

Distante 263 quilômetros de Porto Alegre, via BR216, de Pelotas festeja, até 16.06.2013, sua FENADOCE, em seus pavilhões onde, além das guloseimas, são expostos diversos artigos, atraindo um grande número de turistas.Tive oportunidade de rever Pelotas, após trinta anos de meu primeiro contato com aquela cidade. Naquela época, vi uma localidade sem graça, envelhecida pelo tempo. A beleza que nos transmitiu na recente visita, mudou minha concepção a respeito do município, famoso por suas Charqueadas, principal fonte da economia local, no início de sua história.Depois de provar os deliciosos doces caprichosamente elaborados por descendentes da colônia portuguesa, ali presente, fiz algumas tomadas fotográficas do Centro Histórico, que repasso aos amigos.  
                                                                       
Catedral do Redentor-Igreja Anglicana, coberta por uma hera que, na primavera reveste de verde toda sua fachada. Por sua cobertura, é apelidada de "Igreja Cabeluda". Em sua lateral, o Jardim do Silêncio acolhe os fiéis que ali relaxam e cuidam das flores. 
                                                                           

Mercado Público: Totalmente restaurado, guarda alguma semelhança com nosso Mercado Municipal. Difere, pelo fato de ter apenas um andar, mas suas torres são detalhes que o destacam. Considero um dos prédios mais belos da cidade. Estilo neo-clássico, foi construído em 1848 e sua torre do relógio e o farol de ferro foram importados de Hamburgo, Alemanha.
                                                                            

Biblioteca Pública Municipal

  Casarão com riqueza arquitetônica, edificado para o Charqueador José Vieira Viana, no início do século XIX, reformado em 1886.-Localiza-se junto à Praça Cel. Pedro Osorio.
                                                                         


Catedral de São Francisco de Paula: Desgastada em sua fachada externa, guarda, em seu interior grande parte da obra de Aldo Locatelli, que impresiona por sua beleza.
                                                                            


sexta-feira, 7 de junho de 2013

CENTRO DE PORTO ALEGRE-Um passeio fotográfico

R.CASSIANO NASCIMENTO


MARGS

CORREIOS-(Memorial)

BIBLIOTECA PÚBLICA

TEATRO SÃO PEDRO

AZULEJOS-R.Duque de Caxias

AV.BORGES DE MEDEIROS-Viaduto.
RUA GEN.JOÃO MANOEL-Acesso à 
              R.Fernando Machado.


MAS QUE PROGRESSO É ESSE, TCHÊ?

MAS QUE PROGRESSO É ESSE, TCHÊ?

Na Semana do Meio-Ambiente, nada mais ilustrativo do que a charge de IOTTi publicada no jornal Zero Hora de 05.06.2013. Ela espelha bem o que ocorre no Brasil, onde a dizimação da Mata Atlântica serve para abastecer siderúrgicas que produzem o aço, que alimenta a indústria automotiva cujos veículos saturam nossas ruas, afetam nossa saúde, com a emissão do monóxido de carbono, e causam acidentes com mortes ou danos irreversíveis aos seres humanos.
                                                                             

Os pichadores que abominamos e grafiteiros, que admiramos, pintaram os muros da Fundação Pão dos Pobres, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. As duas imagens, abaixo expostas, dão idéia da ação predatória do homem e de suas conseqüências.
                                                                              

Em nossa cidade, um dos crimes ambientais praticados pelo Poder Público Municipal com aprovação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, ocorreu dois anos atrás, quando retiraram do Parque Marinha do Brasil, inúmeras árvores, mesmo sob protesto dos moradores do Bairro Menino Deus. Muitos, eram eleitores de nossos representantes no parlamento municipal. Agora, com o beneplácito da Justiça, cortaram grande número de árvores, com o mesmo objetivo, qual seja, a realização da Copa do Mundo de 2014. As fotos abaixo dão uma idéia do que significa “progresso” para os gestores públicos.
                                                                         


Mas, afinal, o que é esse tal de “progresso”? Segundo Aurélio, em seu Dicionário, encontramos: “marcha para adiante”, “evolução”, “melhoria”, “civilização”. Este último conceito motivou minha reflexão. Será um ato civilizado “atapetar” nossas vias públicas com asfalto, reduzindo a dimensão de bueiros e bocas de lobo, aumentando a possibilidade de alagamentos? Mas, a maioria dos cidadãos, aplaude a medida. Os carros rolam mais macios, a velocidade pode ser maior, (apesar dos riscos de acidentes), não importa que no verão de mais de 40 graus, o asfalto quase derreta, emitindo aquele odor característico do petróleo, nossa riqueza. Enfim, o carro é prioridade, as árvores são acessórios descartáveis, em nome do “progresso”.
Voltando à produção automotiva: o Governo reduz impostos sobre a venda de caminhões e carretas, que inundam nossas estradas, ao invés de investir em ferrovias e transporte fluvial e marítimo, menos poluente.
E o futebol? Ah o futebol. Durante o período da ditadura militar, uma Copa do Mundo fez com que a maioria dos cidadãos esquecesse o autoritarismo reinante, a tortura de cidadãos, o exílio de cabeças pensantes e fechamento de entidades de estudantes, impedidos de exercer cargos na política, espaços então ocupados por pseudo-representantes do povo, verdadeiras mediocridades oportunistas. O “ópio do povo” continua a justificar prioridades, como o destino de bilhões de reais para a construção ou reforma de estádios, em detrimento da saúde pública no país. Não vou negar que todas essas obras geram empregos. Mas e depois da Copa? Se os recursos fossem aplicados na construção de hospitais, contratação de médicos, enfermeiros, aquisição de equipamentos hospitalares, acredito que a relação custo-benefício representaria um salto de qualidade no caos que é o péssimo atendimento dos pacientes do SUS.
Sei que me alonguei na abordagem do problema e não consegui abranger tudo o que está sendo negligenciado na defesa do Meio-Ambiente, em cuja semana nos encontramos. Vivemos em dois Brasis, com inundações e secas em seus extremos que poderiam ser resolvidas, se as verbas destinadas aos projetos para amenizar aqueles problemas cruciais, chegassem ao seu destino. Alguns políticos corruptos são os responsáveis. Nós os elegemos, mas fomos enganados como estão enganados todos aqueles que acreditam que a derrubada de árvores, reduzindo a oxigenação da cidade, o asfaltamento de ruas, a mudança de projetos viários, resolverão os problemas do trânsito de Porto Alegre. Como último argumento, respeitando opiniões contrárias, entendo que o crime ambiental cometido junto à Usina do Gasômetro e que será perpetrado na Avenida Tronco, onde se prevê o corte de mais de mil árvores, poderia ser evitado, com melhores projetos de engenharia de tráfego, mesmo que mais onerosos, pois a vida humana não tem preço e depende da harmonia ambiental, hoje desequilibrada pela ação predatória do homo sapiens.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

MÚSICOS NA RUA DA PRAIA-PORTO ALEGRE

Ao circular pelo centro de Porto Alegre, tive despertada a curiosidade sobre alguns músicos que cantam e executam seus instrumentos em nossa Rua da Praia. Decidi, então, fazer uma matéria, que repasso aos amigos.

CHARLES BUSKER: Encontrei-o junto à Praça da Alfândega, onde encanta os apreciadores das composições de Bob Dylan, Pink Floyd, Paul Simon e outros. Com sua voz, violão e harmônica, o gaúcho natural de Canguçu, é um atrativo musical que enriquece com sua arte, a rua "que não tem praia e não tem rio", mas tem música para todos os gostos. Contou-me que sua permanência ali, por várias horas, oportuniza alguns contratos para eventos, sem a intermediação de "atravessadores". 
                                                   

ANTONIO SANGUINETTI: Violonista uruguaio, com formação no Conservatório de Música Falleri Balzo, de Montevidéu é outro instrumentista e compositor que nossa Rua da Praia oferece aos passantes. Lecionou música em escolas uruguaias, editou alguns CDs com tangos, milongas e obras de Bach, Schubert e Gardel. Aprecio muito quando ele, sisudo mas compenetrado em extrair musicalidade latina das cordas de sua guitarra, interpreta trechos da obra de Joaquin Rodrigo, em especial, Romanza. Eventualmente, pode ser visto no Brique da Redenção.

LUAN RICHARD: Sempre bem humorado, Luan é um violonista e cantor que nos transmite os maiores clássicos da MPB, somados ao ecletismo de seu repertório, bem variado. É deficiente visual. Segundo eu soube, enxerga apenas vultos, mas nem todos notam, pois sua música transpõe as barreiras de sua deficiência.
                                                 


ZÉ DA FOLHA: Segundo ele me contou, veio de João Pessoa, na Paraíba, onde nasceu.Peregrina há mais de sessenta anos por nosso país, principalmente em Curitiba, Bento Gonçalves e Porto Alegre, onde tem permanecido.Além do violão, o toque diferente de sua interpretação é o uso da folha de Jambolão que ele colhe no Parque da Redenção, em nossa cidade. Afinado, além das músicas executadas com seu violão e folha, ele imita sons de animais, com precisão. Por certo não faltarão folhas de Jambolão para o Zé, pois o Parque Marinha do Brasil contempla várias espécies daquela planta.
                                                 


GRUPO "APURO": O trio argentino com quem conversei, executa tangos, milongas e várias composições de autores portenhos. Em sua simplicidade e alguma timidez, conseguem, através da música latina nos transportar para a nostálgica Buenos Aires. Vale a pena destinar alguns minutos de sua passagem pela Rua da Praia, para conferir.
                                                  

domingo, 12 de maio de 2013

GIBA GIBA- Viva a Negritude

Neste dia 13 de Maio, gostaria de prestar minha homenagem a todos os negros do Brasil, em especial do Rio Grande do Sul, representados na pessoa de Giba Giba.
Talvez muitos não saibam a quem me refiro. Cantor, compositor, percussionista e também ativista cultural, ligado a movimentos negros, foi um dos fundadores e primeiro presidente da escola de samba Praiana.
Giba Giba foi meu colega no Ensino Médio e sempre que nos encontramos, lembro nossa curta mas amistosa convivência. Seu nome está intimamente ligado ao tambor erigido na praça existente em nossa Rua da Praia, bem no seu começo, junto ao Museu do Trabalho. Giba Giba é um dos maiores expoentes na utilização do tambor sopapo, instrumento que muito tem a ver com a autêntica música de nosso Estado. Parabéns, Giba Giba.
                                                         


sábado, 11 de maio de 2013

NÃO QUERO MAIS SER JACK SPARROW

NÃO QUERO MAIS SER JACK SPARROW
                                                                                                  Conto
                                                                       Para Gustavo, meu neto.
                                                                            


            A figura do ídolo, do herói, sempre fez parte da história do homem desde a mitologia grega. Dizem alguns Psicólogos que tanto as crianças, como nós, adultos, precisamos de heróis em nossas vidas, pois eles representam as figuras do Bem e do Mal.
            Felipe, com seus três anos de idade, carinhosamente apelidado de “Pipo”, por seus pais, convivia com alguns ídolos que as histórias em quadrinhos e depois a televisão, difundiam em sua programação infantil.  Batman, Homem Aranha,  e outros, faziam parte do elenco. Quando Pipo se identificava com um deles, por algum tempo o personagem marcava a vida do menino de tal maneira, que ele só atendia o chamado dos pais se eles referissem o nome do ídolo por ele escolhido, naquela fase de sua infância.
            A fuga da realidade para a fantasia era inevitável. Pipo sentia como que uma necessidade de aproximação com seu herói temporário. Havia uma identificação com a criação literária e depois com a imagem transmitida pela televisão.
            Mesmo admirando um personagem fictício, o garoto, em sua cabeça infantil, desejava se tornar aquele que mais próximo conseguia imaginar como seu ídolo. O escolhido tinha muitos defeitos, mas tinha valores e o menino, consciente ou inconscientemente desejava plantar aqueles valores em si. O jogo de faz-de-conta aguçava sua imaginação. Era uma forma de expressar sua liberdade, até porque, no mundo da imaginação, somos absolutamente livres.
            O mais recente personagem escolhido por Pipo e com o qual sua identificação revelou-se bem mais forte do que os que o antecederam, foi Jack Sparrow, o Pirata do Caribe, interpretado, em alguns filmes,  por Johnny Depp, um dos atores mais versáteis do cinema.
            Pipo encarnou com grande emoção a figura do pirata e, mesmo em sua tenra infância, expressava a intensidade com que  Jack Sparrow  conseguira influenciar sua vida e ela tinha que ser vivida como uma aventura.
                                                                           

            Num domingo à tarde, passeando com seus pais junto à Usina do Gasômetro, em Porto Alegre,imprudente como muitas crianças,  ele aproveitou um momento de distração dos progenitores e ingressou num barco de passeio ali atracado, sem que eles notassem. Estava vestido como o pirata, personagem com quem se identificara, na ocasião. Brandindo sua espada de plástico, infiltrou-se entre os turistas que entravam na embarcação, misturando-se com os mesmos, no exato momento em que o comandante deu partida à viagem, pelo lago Guaiba. Era um final de tarde e muitos passageiros tinham como objetivo, além de admirar a natureza, fotografar o pôr-do-sol, um dos atrativos da cidade.
            Naquele momento, para o menino, os integrantes do passeio se confundiram com os protagonistas do filme que ele assistira na TV e  sentia-se o próprio Jack Sparrow, em luta com seus adversários.
            Equanto isso, seus pais, junto ao local de embarque, estampavam em sua face, o desespero, pelo desaparecimento do filho.  Eles deixaram de ser coadjuvantes na aventura de Pipo para se tornarem vítimas de um trauma que jamais imaginaram enfrentar.
            No barco, o menino continuava vivenciando a figura do pirata, abrindo caminho entre seus “inimigos”, tentando mostrar todo o seu poder, até pela forte razão de que ele estava convencido que, naquele momento, não era o  filho mimado pelos pais, mas sim o destemido Jack. Mesmo criança ele era fruto de uma sociedade que tinha necessidade de criar ídolos. Para o público ali presente, que em certas ocasiões alimenta um mito, tudo aquilo era um jogo de cena. Espectadores, eles viam, na representação, um espetáculo para se divertirem.
            Na verdade, temos uma tendência para idolatrar o que desejamos e rejeitar o que não nos interessa. Jack Sparrow, para Pipo, era um fascínio.  Viver aquela fantasia, principalmente num barco de passeio, era o máximo da glória. Em sua cabecinha infantil, não havia diferença entre um barco de turismo, uma escuna ou um navio pirata. Ele já estava formatado a partir de um estereótipo. Mas, chegou um momento em que sua espada já não brandia com tanta energia e seu entusiasmo não despertava mais a atenção dos passageiros. Eles desviaram sua atenção para o belo pôr-do-sol que se descortinava por entre as ilhas do lago, compondo um cenário nostálgico para os amantes da natureza.
                                                                            

 Eu era um dos turistas que assistia as evoluções de Pipo desde sua entrada no barco até me dar conta de que ele estava desacompanhado dos pais. Indaguei a algumas pessoas, ao imediato da embarcação, confirmando o que eu imaginara. Como aquele menino havia subido no barco e o que realmente acontecera, fugia ao meu raciocínio, mas passei a me preocupar com o fato. Conversei com o comandante da embarcação e ele, atento ao problema, comunicou-se através de rádio, com o funcionário que se encontrava junto à guarita do cais. Os pais do menino foram informados da situação e, ansiosos, ficaram no aguardo do retorno de Pipo. Não falei ao menino, para não gerar pânico.
            Depois de meia hora de viagem, observei que o verniz de credibilidade de Pipo como personagem, se esgotara. Gradualmente, ele deixava de ser Jack Sparrow e voltava a ser um menino, constatando a falta da companhia de seus pais, e sendo contaminado pelo medo. Ele estava voltando ao mundo real. Freud dizia que “A criança, em seu brincar, se comporta como um escritor criativo, pois cria um mundo de fantasia que é levado a sério. Seria errado supor que a criança não leva a sério esse mundo; ao contrário, leva muito a sério a sua brincadeira e dispende na mesma muita emoção. A antítese de brincar não é o que é sério, mas o que é real.”
 O pequeno aventureiro foi se encolhendo em sua pequenez, tomando consciência de que perdera sua condição de herói. O brilho em seu olhar, tão semelhante ao de Johnny Depp em seus filmes, agora revelava uma opacidade.
            Então, Pipo chorou. Não um choro fingido, argumento muitas vezes usado pelas crianças da sua idade, para conquistar atenção dos pais e obter a satisfação de algum desejo imediato. Era um choro sentido. Havia, em suas lágrimas, o impacto da solidão, do desamparo, mesmo entre tantos seres humanos que o cercavam, pois seus verdadeiros protetores não estavam ali.
            Chamei-o para junto de mim, procurando acalmá-lo. Disse-lhe que seus pais o esperavam no píer. Ele reagiu como se não acreditasse no que eu afirmara, olhando para todos os lados, à procura daqueles que representavam a segurança em todos os momentos de sua vida. Antes que ele entrasse em desespero, tentei convencê-lo de que estávamos indo de encontro aos seus pais.
            Finalmente retornamos ao local do desembarque. Ali estava o casal com os olhos inchados de tantas lágrimas. Abraçaram o filho, traduzindo naquele amplexo todo o afeto que substituira o desespero representado pela sensação de perda. Foi quando Pipo exclamou: - Não quero mais ser Jack Sparrow!
 No momento em que se afastaram, indo em direção ao carro ali estacionado, o menino, agarrado ao pescoço do pai, olhou para trás, localizando-me entre os passageiros que desembarcavam. Com sua pequena mãozinha, acenou para mim. Naquele aceno eu senti a emoção que aflora e toma conta da gente em situações como a que eu fora protagonista. Lembrei então, de minha infância e das tantas aventuras que eu vivera, viajando pelo meu imaginário. Não existiam, na época, os personagens como os representados por Pipo, mas, muitas vezes eu sonhara que era  o Zorro, com sua máscara negra e seu vigoroso cavalo a combater os inimigos do Bem ou o Super-Homem, capaz de salvar o mundo, com seus  poderes.
            Por um acaso, reencontrei o menino, num dos shoppings da cidade. Atento, ele olhava para uma das vitrines das lojas, onde estava exposto um novo personagem das histórias que faziam a cabeça das crianças. Vi quando ele se voltou para os pais e afirmou, de forma enfática: - Eu quero ser o Homem de Ferro!!   
                                                                                
  

                                                         P.A., Maio de 2013